
Edição 02 Abril/2026
Por Rafael Saravalli e Isadora Assunção
O que é Integridade em Pesquisa, ou Research Integrity?
Como já discutimos, Science Policy é uma via de mão dupla: preocupa-se tanto com a forma
como a política pode promover a ciência quanto com a maneira pela qual a ciência pode
influenciar as decisões sociais. No entanto, antes de a ciência influenciar o processo
decisório, ela própria está sujeita a um conjunto de normas éticas, institucionais,
metodológicas e profissionais que orientam a produção do conhecimento científico. No
centro desse conjunto normativo está, certamente, a Integridade em Pesquisa, ou, como é
internacionalmente chamada, Research Integrity.
Research Integrity possui duas finalidades principais. A primeira consiste em proteger o
caráter ético das pesquisas. O que se busca, nesse caso, é coibir práticas desleais, injustas e
prejudiciais aos participantes do processo científico. A segunda finalidade é mais sutil:
Research Integrity também se preocupa com a própria confiabilidade da ciência. Dessa
forma, demanda dos cientistas fidelidade aos padrões metodológicos, éticos e institucionais
que sustentam a produção de conhecimento científico confiável.
É fácil notar, dentro da comunidade científica, a aceitação de Research Integrity como pedra
angular do empreendimento científico. De fato, há uma articulação intencional para a
elaboração dessas normas em declarações coletivas, como a Singapore Statement, bem como
em outros documentos internacionais posteriores sobre integridade em pesquisa. Além deste
engajamento individual, universidades e instituições científicas aderem ativamente a essas
normas.
Na edição de hoje, observamos um movimento interessante voltado ao aumento da
efetividade dessas normas. A Nature, seguindo esse movimento, sugere a criação de um
banco nacional de má conduta acadêmica. Esse assunto, isoladamente, demanda uma análise
mais aprofundada. Também no Congresso norte-americano se observa um movimento nesse
sentido, como pode ser visto na segunda notícia.
Esse desafio se torna ainda mais complexo com o uso crescente de IA na ciência. Afinal, os
mecanismos tradicionais de controle — autoria, rastreabilidade, revisão, transparência e
responsabilização — passam a enfrentar novas zonas de incerteza. Como aumentar a
efetividade das normas de integridade em pesquisa quando estamos fazendo ciência com IA?
Quais serão os novos mecanismos de controle? A terceira notícia da Nature também aborda
esse tema.
Para que Research Integrity prospere, também é necessário um ambiente favorável à ciência.
A Hungria, em um novo cenário político após a derrota eleitoral de Viktor Orbán em abril de
2026, poderá oferecer novas possibilidades para suas universidades e para a reconstrução de
um ambiente acadêmico mais aberto?
Como vocês poderão ver ao longo deste segundo boletim, o cenário internacional está se
alterando e, com ele, também o modo de produzir ciência. Novos financiadores, novos líderes, novas estratégias. No entanto, Research Integrity deverá sempre se manter como o
fundamento deste extraordinário empreendimento coletivo que é a ciência.
SAIBA MAIS
Veja nossa seleção de leituras e referências sobre liberdade científica, research security, financiamento e recursos humanos, braindrain e outros temas
- EUA debatem banco nacional de má conduta acadêmica
Proposta publicada na Science defende que universidades dos EUA sejam obrigadas a
registrar casos comprovados de fraude em pesquisa e assédio em uma base nacional confidencial. A ideia busca impedir que pesquisadores escapem de sanções ao mudar de instituição, mas já gera controvérsia por riscos jurídicos, de governança e de novos problemas institucionais.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01147-x?
- Congresso dos EUA amplia pressão sobre a publicação
Parlamentares americanos intensificaram o escrutínio sobre práticas da publicação acadêmica, com foco em paper mills, taxas de acesso aberto e incentivos perversos do modelo “publicar ou perecer”. Apesar do consenso de que o sistema precisa de reforma, a audiência revelou divergências sobre como conter abusos sem comprometer revisão por pares, acesso aberto e financiamento à pesquisa.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01251-y?
- Citações inventadas por IA contaminam a literatura científica
Análise da Nature sugere que dezenas de milhares de publicações de 2025 podem conter referências inválidas geradas por IA, o que amplia preocupações com integridade científica e confiabilidade editorial. Editoras já testam ferramentas para detectar essas citações “alucinadas”, mas ainda há incerteza sobre a escala real do problema e sobre como corrigir artigos já contaminados.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00969-z?
- Queda de Orbán reacende esperança para a ciência húngara
A derrota de Viktor Orbán abre espaço para a reconstrução da autonomia universitária e para a reaproximação da Hungria com a pesquisa europeia, após anos de politização e bloqueio de recursos da União Europeia. Ainda assim, cientistas alertam que reverter leis não basta: será preciso recuperar confiança institucional, estabilidade e a capacidade de reinserção internacional do sistema de pesquisa.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01225-0?
- Cresce corrida de cientistas dos EUA por bolsas europeias
As candidaturas de pesquisadores baseados nos Estados Unidos a bolsas prestigiosas do European Research Council mais que dobraram, em mais um sinal de fuga de cérebros impulsionada pela política científica do governo Trump. O movimento reforça a atratividade da Europa, mas também pressiona o sistema europeu de fomento, que pode enfrentar competição ainda maior sem aumento substancial de recursos.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00362-w?
- Trump volta a propor cortes drásticos para a ciência dos EUA
A proposta orçamentária de 2027 da Casa Branca prevê novos cortes profundos em agências científicas como NSF, NIH, NASA e EPA, além de restringir o uso de recursos federais para assinaturas e taxas de publicação acadêmica. Embora o Congresso ainda possa barrar as medidas, o plano reforça a pressão sobre o sistema científico americano e aprofunda incertezas sobre financiamento, liderança científica e acesso à publicação.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01105-7
- Filantropias científicas ampliam atuação diante da retração do financiamento público
Com cortes e instabilidade no financiamento estatal, fundações e doadores estão expandindo seu papel no apoio à ciência, oferecendo desde funding emergencial até modelos mais ousados de venture philanthropy e pesquisa interdisciplinar. O movimento não substitui o Estado, mas mostra como a filantropia tenta ocupar lacunas estratégicas, financiar riscos e também reforçar transparência, equidade e confiança pública na ciência.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01043-4?
- Boicote à NeurIPS expõe aprofundamento da divisão entre EUA e China em IA
A decisão de uma importante organização chinesa de boicotar a NeurIPS após controvérsia sobre restrições a instituições sancionadas evidencia como a geopolítica está atravessando a cooperação científica em inteligência artificial. O caso sugere uma tendência maior de desacoplamento entre os ecossistemas de pesquisa dos dois países, justamente num campo em que a China já ocupa posição central em produção científica e formação de talentos.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01058-x?
- NSF amplia bolsas de doutorado nos EUA
A National Science Foundation concedeu um número recorde de bolsas de doutorado em 2026, revertendo o corte drástico do ano anterior e oferecendo um alívio inesperado para jovens pesquisadores. O movimento beneficia especialmente áreas como IA e ciência quântica, mas ocorre em meio a incertezas maiores sobre o futuro do financiamento científico federal nos Estados Unidos.
Link: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01119-1
O Artificial Intelligence Index Report, do Stanford HAI Center, foi publicado, com os principais pontos a seguir:
- AI policy virou política de capacidade estatal. O relatório afirma que, à medida que a IA se torna central para desenvolvimento econômico e competitividade nacional, mais governos estão formalizando estratégias nacionais. Mas ele também adverte que essas estratégias medem sobretudo intenção política, não implementação real. Em 2024–2025, novas estratégias apareceram em países da África subsaariana, do Sul e Centro da Ásia e da América Latina e Caribe, como Etiópia, Gana, Nigéria, Sri Lanka, Nepal, Costa Rica e Jamaica; México e África do Sul ainda estavam “em desenvolvimento”.
- “AI sovereignty” é o eixo conceitual mais importante do relatório. O AI Index define soberania em IA como a capacidade do Estado de tomar decisões independentes sobre desenvolvimento, deployment e governança de sistemas de IA. E mostra que o debate já não se limita a dados e infraestrutura: ele abrange compute, desenvolvimento de modelos, talento, procurement, regulação, parcerias internacionais e estratégia de cadeia de suprimentos.
- A legislação sobre IA está crescendo rápido, mas de forma muito desigual. Entre os países do G20, não havia leis de IA registradas em 2016; entre 2016 e 2025, os EUA aprovaram 25 leis, a Coreia do Sul 17, França 10, Japão 10 e Itália 9. O relatório usa isso para mostrar que o policymaking em IA está se expandindo, mas de modo assimétrico entre jurisdições.
- As leis nacionais recentes mostram modelos distintos de governança. O relatório destaca, por exemplo, a lei italiana de 2025, alinhada ao EU AI Act, com foco em IA “responsável, transparente e human-centered”, e a lei japonesa sobre promoção de P&D e uso de IA, que cria um AI Basic Plan e uma AI Strategy Headquarters liderada pelo primeiro-ministro para coordenar política interna e cooperação internacional.
- Infraestrutura virou tema central de science policy. A capacidade global de compute em chips de IA cresceu 3,3x ao ano desde 2022, alcançando cerca de 17,1 milhões de H100-equivalentes no fim de 2025. A Nvidia responde por mais de 60% desse compute total, com Google e Amazon respondendo por grande parte do restante.
- A geografia da infraestrutura é extremamente concentrada. Em 2025, os EUA tinham 5.427 data centers, contra 529 na Alemanha, 523 no Reino Unido e 449 na China. O relatório ressalta que os EUA têm mais de 10 vezes o número de data centers de qualquer outro país, embora o número de instalações não capture sozinho tamanho ou capacidade de cada centro.
- A cadeia de hardware é um gargalo estratégico. O AI Index observa que a TSMC fabrica “virtualmente” todos os chips líderes de IA, inclusive GPUs Blackwell da Nvidia e MI300X da AMD. Isso transforma a foundry taiwanesa em single point of dependency para a cadeia global de IA.
- O poder privado no frontier AI aumentou, e a transparência caiu. Em 2025, a indústria produziu 91,58% dos modelos notáveis; a academia respondeu por apenas 1,05%. Naquele ano, a Epoch AI identificou 87 modelos notáveis da indústria e apenas 1 da academia. Além disso, em 2025, 80 de 95 modelos notáveis foram lançados sem training code aberto, e os laboratórios de fronteira passaram a divulgar menos parâmetros, tamanho de dataset e duração de treino.
- A concentração geopolítica dos modelos continua alta. Em 2025, os EUA lançaram 50 modelos notáveis, a China 30 e a Coreia do Sul 5. Ao mesmo tempo, a China lidera em volume de publicações, citações e patentes, enquanto os EUA seguem à frente em modelos notáveis e patentes de maior impacto.
- Responsible AI não acompanha o avanço das capacidades. O relatório diz que a infraestrutura de RAI está crescendo, mas de forma desigual e insuficiente. Em 2025, o AI Incident Database registrou 362 incidentes, quando o número anual havia permanecido abaixo de 100 até 2022. Já o monitor da OCDE chegou a 435 incidentes mensais em janeiro de 2026, com média móvel de seis meses de 326.
- Além disso, faltam métricas estáveis para governança. O capítulo de Responsible AI afirma que benchmarks de segurança se expandiram, mas os frontier models raramente reportam resultados neles; também não existe arcabouço consolidado para lidar com trade-offs entre segurança, privacidade, fairness e acurácia, nem dados padronizados suficientes para acompanhar o progresso ao longo do tempo.
- Educação já é um tema explícito de AI policy. O relatório mostra que entre 50% e 84% dos estudantes do ensino básico usam IA para tarefas escolares, e que quatro em cada cinco estudantes americanos do ensino médio e superior já usam IA para estudos. Mas apenas metade das middle e high schools têm política sobre IA; só 28% a permitem em algumas circunstâncias e 22% a proíbem. Entre os professores, apenas 6% dizem que suas escolas têm políticas claras e abrangentes.
- A implementação educacional continua muito descentralizada. Nos EUA, em janeiro de 2026, 30 estados haviam emitido alguma guidance sobre IA na educação, 17 esclareceram que computer science é fundamento para IA, e apenas 5 alocaram funding específico para formação profissional em IA. O relatório também destaca que a orientação estadual é em grande parte não vinculante e que a qualidade da implementação depende da capacidade local.
- Poucos países transformaram IA em educação obrigatória. Em 2025, a maioria dos países ainda estava mais focada em usar IA na educação do que em ensinar IA. As exceções mais fortes foram China e Emirados Árabes Unidos; no caso chinês, Beijing, Guangdong e Hangzhou passaram a exigir educação em IA em 2025–26, com carga horária mínima e progressão curricular da alfabetização em IA no ensino fundamental ao design de sistemas de IA no ensino médio.
- A competição por talento é um ponto frágil da liderança americana. O relatório destaca que o número de pesquisadores e desenvolvedores de IA se mudando para os EUA caiu 89% desde 2017, com queda de 80% só no último ano. Ainda assim, o país continua sendo o principal polo em investimento e número absoluto de talentos.
- Os EUA seguem dominando o financiamento privado, mas isso também é policy-relevant. Em 2025, o investimento privado em IA nos EUA chegou a US$ 285,9 bilhões, 23,1 vezes o valor da China (US$ 12,4 bilhões) e 48,5 vezes o do Reino Unido (US$ 5,9 bilhões). O país também liderou em empreendedorismo, com 1.953 novas empresas de IA financiadas, contra 172 no Reino Unido e 161 na China. Mais da metade do investimento privado americano em IA foi em genAI: US$ 163,6 bilhões.
- A difusão da IA é extremamente rápida e cria pressão regulatória. O relatório estima que a genAI alcançou 53% de adoção populacional em três anos, mais rápido do que computador pessoal e internet em trajetórias comparáveis. Isso ajuda a explicar por que sistemas regulatórios, educacionais e de governança parecem atrasados em relação à difusão tecnológica.
- A confiança pública para governar IA é fragmentada. Globalmente, 54% dos respondentes disseram confiar em seu governo para regular IA de modo responsável, mas os EUA tiveram o menor nível de confiança, com 31%. Em outra pesquisa, a mediana de confiança na UE para regular IA efetivamente foi de 53%, contra 37% para os EUA e 27% para a China. Além disso, 79% dos respondentes defendem que empresas sejam obrigadas a divulgar quando usam IA.
Link: https://hai.stanford.edu/ai-index/2026-ai-index-report
- UE e Austrália avançam para integração mais profunda em pesquisa e inovação
A Comissão Europeia e a Austrália abriram negociações formais para associar o país ao Horizon Europe, o principal programa europeu de pesquisa e inovação. Se concluído, o acordo permitirá que instituições australianas acessem financiamento direto e participem em condições semelhantes às dos países associados, ampliando a cooperação científica em áreas estratégicas como tecnologias emergentes, energia limpa, saúde e cadeias de suprimento resilientes.
Link: https://research-and-innovation.ec.europa.eu/news/all-research-and-innovation-news/eu-and-australia-formally-open-negotiations-association-horizon-europe-2026-03-31_en
- Trump escolhe Erica Schwartz para comandar o CDC
Donald Trump indicou Erica Schwartz para liderar o CDC, encerrando meses de instabilidade no comando da principal agência de saúde pública dos EUA após a saída conturbada de Susan Monarez. A nomeação ocorre em meio a forte politização da política vacinal sob Robert F. Kennedy Jr., com reestruturações, demissões e disputas internas que vêm alarmando parte da comunidade científica.
Link: https://www.bbc.com/news/articles/c4gx9r7yv02o
- NSF retoma e amplia programa de bolsas de pós-graduação nos EUA
A National Science Foundation selecionou um número recorde de 2.599 bolsistas de pós-graduação em 2026, revertendo a queda atípica do ano anterior e retornando a uma distribuição mais próxima do padrão histórico entre áreas.
O movimento reduz temores de encolhimento estrutural do programa sob pressão do governo Trump, embora ainda revele mudanças importantes na composição dos contemplados, com maior peso para engenharia e menor participação da psicologia.
Link: https://www.science.org/content/article/nsf-names-record-number-graduate-fellows-rebounding-2025-dip
- Aposta do Departamento de Energia em IA pressiona verbas tradicionais de pesquisa
A Genesis Mission, iniciativa do Departamento de Energia dos EUA para impulsionar aplicações de IA, destinará US$ 293 milhões ao programa, em parte retirando 10% de orçamentos já apertados de linhas tradicionais de pesquisa. Embora o governo apresente a medida como estratégica e urgente, cientistas alertam que o cronograma exíguo e a realocação interna de recursos podem comprometer a renovação de grants convencionais, especialmente em áreas como física nuclear.
Link: https://www.science.org/content/article/department-energy-s-ai-push-squeezes-funding-research-grants
- Guerra passa a atingir diretamente universidades e centros de pesquisa do Irã
Com a escalada do conflito, ataques têm destruído ou danificado universidades, laboratórios e centros estratégicos de pesquisa no Irã, incluindo o Instituto Pasteur de Teerã e a Universidade Sharif.
Além dos danos físicos, a guerra está paralisando a vida acadêmica com blecautes de internet, acesso bloqueado a laboratórios e risco de perda de coleções científicas e infraestrutura construída ao longo de décadas.
Link: https://www.science.org/content/article/war-escalates-iran-s-universities-face-increasing-fire
- Nova ferramenta busca entender como modelos de IA “memorizam” dados sensíveis
Pesquisadores desenvolveram o Hubble, primeira ferramenta open source voltada especificamente a estudar como grandes modelos de linguagem podem reproduzir trechos protegidos por copyright ou informações pessoais presentes nos dados de treinamento.
Embora ainda não ofereça uma solução definitiva, a ferramenta pode ampliar pesquisas sobre “desaprendizado” de dados sensíveis e sobre os trade-offs entre retenção útil de informação e memorização indevida.
Link: https://www.science.org/content/article/ais-can-memorize-data-they-shouldn-t-can-they-be-forced-forget
- Pagar cientistas para encontrar erros em artigos não foi suficiente
O projeto ERROR, criado para remunerar pesquisadores que revisassem minuciosamente artigos já publicados em busca de falhas metodológicas, estatísticas e de código, concluiu que o incentivo financeiro sozinho não basta para atrair revisores em número suficiente.
Diante da baixa adesão, a iniciativa agora pretende lançar um periódico próprio para publicar essas análises forenses, tentando transformar esse trabalho também em recompensa acadêmica, e não apenas monetária.
Link: https://www.science.org/content/article/offering-scientists-cash-spot-errors-published-papers-doesn-t-work
- China supera os EUA em gasto total com P&D por uma métrica-chave
Segundo a OCDE, a China gastou em 2024 cerca de US$ 1,03 trilhão em pesquisa e desenvolvimento, ultrapassando os EUA, com US$ 1,01 trilhão, quando os valores são ajustados por paridade de poder de compra.
O dado confirma uma tendência de longo prazo de ascensão científica chinesa, embora os Estados Unidos ainda mantenham vantagem em pesquisa básica e o próprio indicador traga cautelas metodológicas.
Link: https://www.science.org/content/article/china-now-tops-u-s-r-d-spending-one-key-measure
- Reconhecimento internacional de cientistas brasileiros reforça discurso de investimento em ciência
O MCTI destacou a inclusão de Mariangela Hungria e Luciano Moreira na lista da Time das 100 pessoas mais influentes do mundo como evidência do impacto estratégico do investimento público em ciência no Brasil.
A pasta associou o reconhecimento ao apoio recebido pelos dois pesquisadores ao longo da carreira por meio do CNPq, ressaltando como bolsas e financiamento ajudaram a viabilizar soluções com efeitos concretos na agricultura e no combate à dengue.
Link: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/04/inclusao-dos-pesquisadores-brasileiros-na-lista-das-cem-pessoas-mais-influentes-da-revista-time-reflete-importancia-do-investimento-na-ciencia
- MCTI e CNPq avaliam projetos climáticos para orientar próximas chamadas
O MCTI e o CNPq iniciaram o monitoramento e a avaliação de projetos financiados pelo edital de 2022 sobre mudança do clima, que destinou R$ 50 milhões do FNDCT a 68 pesquisas em áreas como modelagem climática, adaptação, redução de emissões e crescimento verde.
Além de acompanhar resultados e desafios, o seminário busca gerar subsídios para futuras chamadas, reforçando a ideia de que avaliação de projetos também é instrumento de aperfeiçoamento da política científica na área climática.
Link: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/04/mcti-e-cnpq-realizam-monitoramento-e-avaliacao-de-projetos-de-pesquisa-sobre-mudanca-do-clima
- Normas técnicas ganham espaço estratégico na governança da IA no Brasil
Webinar promovido pelo MCTI destacou que padrões técnicos deixaram de ser tema apenas operacional e passaram a influenciar diretamente segurança, interoperabilidade, competitividade e soberania tecnológica na inteligência artificial.
A discussão reforça que a participação brasileira na definição dessas normas é vista como elemento estratégico de política pública, inserção internacional e posicionamento geopolítico no desenvolvimento da IA.
Link: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/04/normas-tecnicas-ganham-protagonismo-na-governanca-da-inteligencia-artificial-e-ampliam-debate-estrategico-no-brasil
- Brasil firma parceria com Serpro e empresa chinesa para fortalecer IA nacional
O MCTI assinou um protocolo de intenções com o Serpro e a chinesa iFlytek para desenvolver soluções de inteligência artificial adaptadas ao contexto brasileiro, com foco em soberania tecnológica, capacitação e infraestrutura digital.
Alinhado ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o acordo reforça a cooperação Brasil-China em tecnologias estratégicas e busca ampliar capacidades nacionais em áreas como modelos em português, tradução automática, cibersegurança e nuvem segura.
Link: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/04/mcti-firma-parceria-com-serpro-e-empresa-chinesa-para-desenvolvimento-de-inteligencia-artificial-no-brasil
- Brasil inaugura primeiro centro de pesquisa em tecnologia assistiva
O MCTI inaugurou no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, o primeiro Centro de Acesso, Pesquisa e Inovação em Tecnologia Assistiva do país, voltado a conectar demandas de pessoas com deficiência a redes de pesquisa e desenvolvimento.
A iniciativa integra o plano Novo Viver sem Limites e busca ampliar autonomia, inclusão e acesso a tecnologias assistivas, consolidando esse campo como parte estratégica da política pública de ciência e inovação.
Link: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/04/mcti-inaugura-primeiro-centro-de-pesquisa-em-tecnologia-assistiva-do-pais
PROJETOS DE LEI
Ao final desta edição, apresentamos uma tabela com projetos de lei em tramitação. Todos abordam temas relevantes para a governança científica, tais como financiamento, relações com fundações de apoio, regime previdenciário de bolsistas e participação feminina em carreiras científicas. Convidamos nossos leitores a sugerir projetos de lei que mereçam atenção, sejam eles federais, estaduais ou mesmo municipais.


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